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Carlos Renaux (Cônsul Carlos Renaux)

  • Carlos Renaux


Comerciante, industrial e cônsul do Brasil. Um homem que, com forte espírito empreendedor, inteligente, sóbrio e econômico, fundou a primeira fábrica de tecidos de Santa Catarina e se transformou num dos principais industriais do estado e do Brasil.

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Carlos Renaux, originalmente Karl Christian Renaux (Loerrach, 11 de março de 1862 — 1945) foi um político, comerciante e industrial brasileiro, o fundador da Fábrica de Tecidos Carlos Renaux em Brusque, no estado de Santa Catarina.

O slogan do Centenário de Brusque de autoria do padre e cientista Raulino Reitz, "Brusque, Berço da Fiação Catarinense", foi inspirado e fundamentado no fato de a Fábrica Renaux ser a primeira indústria a instalar uma fiação em Santa Catarina. Imigrante alemão, Carlos Renaux foi um empresário admirado pela sua preocupação social, e com idéias avançadas no terreno das relações de trabalho.

Ao completar 20 anos de idade ele desembarcou no Brasil e, seu perfil de empreendedor o levou a adquirir uma casa comercial em Brusque e a revolucionar as transações comerciais na cidade; passou a pesar os produtos agrícolas e a utilizar moeda corrente nos negócios com os colonos.

Como republicano, foi o primeiro administrador do município de Brusque após a proclamação da República e construiu um império na indústria têxtil.

Trajetória

De uma família de classe média, Carlos Renaux tinha escolaridade equivalente ao atual ensino médio e treinamento como aprendiz no Banco Hipotecário de Loerrach. Imigrante alemão de sobrenome francês, chegou ao Brasil em 1882, com carta de recomendação do banco onde trabalhara, e empregou-se como caixeiro de uma casa comercial no Salto Weissbach, em Blumenau.

Em 1890, nomeado pelo governo estadual, presidiu o conselho municipal; foi escolhido para o cargo de superintendente (prefeito municipal) em várias gestões.

Renaux era republicano e a derrubada do regime monárquico, em 15 de novembro de 1889, constituiu-se em fator determinante para a sua entrada bem sucedida na arena política. A proclamação da República deixara algumas figuras importantes da política em situação difícil, abrindo espaço para novas lideranças, habilitadas pela naturalização concedida pela nova constituição.

Como partidário de Lauro Müller e Felipe Schmidt, Carlos Renaux foi eleito para compor a Assembleia Constituinte de Santa Catarina, em 1891.

Na Revolução Federalista estava entre os legalistas, participando inclusive das lutas contra os revoltosos na capital. Em Blumenau foi preso e condenado à morte por fuzilamento, a mando do general Gumercindo Saraiva, um dos comandantes das tropas rebeldes (maragatos) durante a Revolução Federalista; foi salvo pelo chefe do partido federalista blumenauense Elesbão Pinto da Luz, que atuara em Brusque. Com a derrota dos federalistas, Elesbão foi condenado à pena de morte, figurando entre os fuzilados na Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim, por ordem direta de Antônio Moreira César que, no governo de Santa Catarina, promoveu prisões e fuzilamentos sumários de militares e civis, inclusive o fuzilamento do marechal Manuel de Almeida Lobo d'Eça, o primeiro e único barão de Batovi, sendo que o coronel Moreira César teria recebido ordens de Floriano Peixoto para assim proceder.

Na política local, Carlos Renaux suplantou em definitivo o seu principal adversário Guilherme Krieger, coronel comandante da Guarda Nacional em Brusque, nas eleições de 1914.

Em 1918 recebeu o título de cônsul honorário do Brasil em Arnhem, na Holanda e, a partir daí, passou a ser chamado apenas pelo título.

Carlos Renaux era um homem rico e se encantava com as últimas novidades que chegavam da Europa; foi o primeiro cidadão de todo o Vale do Itajaí a possuir uma geladeira e um ar condicionado importados.

A Consul

Entusiasta do progresso, o cônsul criou a Fundação Cultural e Beneficente Cônsul Carlos Renaux para financiar projetos que trouxessem benefícios para a cidade de Brusque. Dessa fundação veio o dinheiro para que Rudolfo Stutzer montasse a oficina onde acabou sendo produzida a primeira geladeira brasileira. Na pequena oficina que ficava na rua Tiradentes, em Brusque, dois homens curiosos e idealistas, Guilherme Holderegger e Rudolfo Stutzer, fabricavam anzóis, fios elétricos, peças para bicicletas e consertavam de tudo um pouco, até que um dia apareceu uma geladeira a querosene importada para consertar.

Geladeira no Brasil naquela época, só importada, e encontrada somente na casa de gente muito rica. Os dois, então, desmontaram toda a geladeira, estudaram cada pedacinho e partiram para o que na época era uma grande aventura: fabricar o primeiro refrigerador brasileiro. Juntamente com Wittich Freitag, e com ajuda financeira do cônsul Carlos Renaux, do qual Stutzer era motorista e amigo, o primeiro refrigerador foi chamado de Consul (escrito sem acento), em homenagem ao benfeitor.

Quando a oficina virou fábrica, em 1950, num pequeno galpão de 680 metros quadrados na cidade de Joinville, a homenagem permaneceu, e deu origem à Indústria de Refrigeração Consul. O primeiro refrigerador, chamado de Consul Júnior, que era a querosene e funcionava com resistência elétrica, logo se transformou num grande sucesso.

Nos dados corporativos da empresa, consta como fundadores Carlos Renaux, Guilherme Holderegger, Rudolfo Stutzer e Wittich Freitag.

A Fábrica de Tecidos Carlos Renaux

A fábrica, fundada em 11 de março de 1892, teve sua origem com oito teares manuais, instalados dentro do depósito de mercadorias do comerciante Carlos Renaux e, para a sua fundação, ele se associou ao agricultor e comerciante Augusto Klappoth e a Paul Hoepcke, também comerciante, com atuação em Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis).

A chegada de tecelões provenientes da região têxtil de Lodz, na Polônia, foi decisiva para a implantação da indústria têxtil em Brusque, pois eles detinham o conhecimento de ofício de transformar fios de algodão em tecido. Os tecelões haviam emigrado para o Brasil por causa das más condições de trabalho e por constituírem uma minoria étnica, pois eram na sua maioria de origem alemã vivendo na região da Polônia sob o domínio russo e sofrendo diversas restrições de ordem política e social.

Ao se estabelecerem na região, os tecelões receberam lotes impróprios para a prática da agricultura e, por não possuírem experiência agrária anterior, se viram impelidos a aceitar o trabalho assalariado no empreendimento têxtil.

Os tecelões de Lodz eram Karl Gottlieb Petermann (esposa e três filhos menores); Gottlieb Tietzmann (e família); Franz Kreibich (e família); Wilhelm Jakowsky (e família); Julius Hacke; Alvin Schaffel; Eduardo Franz; Gustav Schlösser (esposa e três filhos menores Hugo, Adolfo e Carlos), vindo apenas em 1896, diretamente para a Vila.

Em 1918, a empresa foi transformada em uma sociedade anônima, sob o nome de Fábrica de Tecidos Carlos Renaux S.A., tendo os filhos e filhas de Carlos Renaux, e respectivos sogros, como acionistas.

Seu filho Otto Renaux foi eleito presidente. O professor Erich Arnold von Buggenhagen, na sua obra História Econômica do Município de Brusque, informa que no ano de 1935, a Fábrica de Tecidos Carlos Renaux S.A. possuía em três unidades fabris, 294 teares e 649 trabalhadores, com um porcentual de 22,50 por cento do total da mão-de-obra empregada no ramo têxtil no estado catarinense.

A Segunda Guerra Mundial, de modo geral, propiciou prosperidade para a indústria têxtil de Brusque. Até o final da década de 1940, a empresa instalou em Brusque a primeira unidade na região capaz de girar o fio penteado.

Nos anos 60, uma nova etapa evolutiva que empregava tecnologia de resinas sintéticas foi introduzida para a produção de tecidos de algodão à prova de rugas.

Com a abertura de seu capital, as ações da corporação começaram a ser negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo.

Em 15 de julho de 2013, a Fábrica de Tecidos Carlos Renaux teve falência decretada, encerrando uma história de 121 anos.

Fonte: Wikipedia






Veja fotos onde essa personagem aparece:


Cartão postal de agradecimento a Carlos Renaux, ressaltando a importância e grandeza da Maternidade que levava o seu nome.

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Carlos Renaux na Villa Goucky

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